A comissão de Ensino propõe os cursos a cada semestre para aqueles que participam do Curso regular, escolhendo conceitos e textos que chamamos de base. Esses são textos que inauguram, por meio de seu estudo, o encontro com ensino de Freud e Lacan, de modo sempre introdutório, numa aposta de que esse encontro será permanente.

Desde 2014 temos como orientação principal os conceitos de sintoma e insconsciente e, levando em conta o turbilhão que experimentamos com o Congresso da AMP em 2016, incluímos a questão do corpo em psicanálise. Desse modo, seguimos com o percurso feito até aqui e ampliamos a discussão clínica, apostando numa transmissão em que esteja presente o vigor da tradição da clínica psicanalítica e as invenções necessárias – sempre orientadas pela teoria revisitada e atualizada, permitindo aos que procuram o Instituto enfrentar os desafios da clínica no século XXI.

O fio condutor do programa desse semestre foi uma aposta na leitura dos casos clássicos de Freud, tais como Dora, Homem dos Ratos e Homem dos Lobos, de modo a abordá-los não só pelo diagnóstico entre neurose e psicose (o que pode nos levar a um fechamento), mas por uma leitura que possamos fazer hoje desses casos sob transferência. Como nos orientar pelo sintoma e apostar nele, localizando as respostas sintomáticas singulares do sujeito?

Junto com o caso Dora, vamos trabalhar a questão do imaginário, da constituição subjetiva do estádio do espelho. Com o Homem dos ratos, a neurose obsessiva ontem e hoje. E, acompanhando o Homem dos lobos, a direção do tratamento e o caminho da formação dos sintomas.

A clínica psicanalítica hoje nos traz desafios que vão muito além do diagnóstico diferencial. As manifestações do insconsciente, daquilo que se inscreve como furo, precisam ser lidas a partir do modo singular de gozo do sujeito, ou seja, de como ele se defende da inexistência da relação sexual.

O modo como Lacan atravessou e releu os impasses que Freud encontrou em seus casos nos trouxe soluções que Lacan inventou no que se refere à questões teóricas, assim como aquelas relativas à direção do tratamento. Vamos lançar mão dessas ferramentas e também da experiência clínica cotidiana tanto dos colegas analistas da Escola – que, a partir de sua própria formação, fazem a transmissão dos cursos – quanto dos participantes.

Esse programa segue o fio da pergunta retomada por Maria do Rosário no semestre passado, sobre se existe pesquisa clínica no ICP, lembrando o trabalho feito nos Núcleos e na Unidade de pesquisa e na participação do ICP nas conversações clínicas das Jornadas e Colóquios. Visando essa vertente clínica, seguimos também a comemoração dos vinte anos das três Conversações proposta por Jacques-Alain Miller, concluídas pela Convenção de Antibes, que cunhou o termo psicose ordinária. O programa de pesquisa que foi aí lançado caminha até hoje, pois visa abordar os casos inclassificáveis da clínica, e, por isso, foi proposto como tema para o próximo congresso da AMP, de 2018: “As psicoses ordinárias e as outras”.

Sejam todos muito bem-vindos ao trabalho no Instituto!

Paula Borsoi

Coordenadora da Comissão de Ensino