CICLO FUNDAMENTAL

Turma 2015

A direção da cura
Lenita Bentes
Horário: 19h00
Início: 08 de março

Freud (1911/1980) construiu, a partir das Memórias de Schreber, um caso clínico  que se tornou referência na abordagem da psicose pela psicanálise. Para ressaltar a especificidade desta posição subjetiva, tomou, como contraponto, o paradigma da neurose, ou seja, as declinações do Édipo em sua articulação com a norma fálica. No curso, destacaremos as formulações de Freud sobre o inconsciente e o corpo no desencadeamento de Schreber.
Lacan (1955-56/1998), conclamando os analistas a um retorno à letra freudiana, fez, inicialmente, uma leitura estruturalista do Caso Schreber, distinguindo neurose e  psicose, como efeito da inscrição ou não do  significante Nome-do-pai (NP), significante que viria barrar o significante do desejo enigmático da mãe. No curso, extrairemos passagens do Seminário 3, onde Lacan demonstrou os efeitos da foraclusão do significante NP em Schreber, em termos de inconsciente e corpo; bem como o trabalho do sujeito para se arranjar com o gozo, através da metáfora delirante.
Em seguida, o foco será o reviramento no ensino de Lacan cujo ponto de inflexão foi o estudo sobre Joyce, no seminário O Sinthoma. Com isso, o novo paradigma da clínica passou a ser a psicose e os modos possíveis de enlaçamento entre os registros real, simbólico e imaginário, o que Miller (2011) formula como Clínica do sinthoma.
Nesta direção, com Jimenez (2014), supomos uma leitura do Caso Schreber, em que a estrutura do sujeito é abordada a partir da topologia dos nós; o que convida cada um de nós a inventar com o parlêtre não só na psicanálise com psicóticos.

Bibliografia:
FREUD, S. (1911/1980) “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (Dementia Paranoides)”. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud (ESB). Rio de Janeiro: Imago. v. XII.
LACAN, J. (1955-56/1998) “O Seminário, livro 3: As psicoses”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
MILLER, J-A. “Sutilezas analíticas”. Buenos Aires: Paidós, 2011, p. 83-96.
JIMENEZ, S. “No cinema com Lacan – o que os filmes ensinam sobre os conceitos e a topologia lacaniana”. Rio e Janeiro: Ponteio, 2014, p.181-212.
SCHREBER, D. P. (1905) “Memórias de um doente dos nervos”. Rio de Janeiro. Edições Graal, 1984.

 

Uma leitura do Homem dos lobos
Paula Borsoi e Gloria Maron
Horário: 19h00
Início: 15 de março

A partir da leitura do texto de Freud, “História de uma neurose infantil”, conhecido como o caso clínico do “Homem dos Lobos”, vamos aprofundar o que esse caso nos ensina sobre a clínica estrutural. Partiremos dos impasses encontrados por Freud na condução desse caso, para, posteriormente, interrogar com Lacan porque esse caso nos leva a questões em torno do diagnóstico neurose e psicose. Finalmente, apoiadas na clínica borromeana, abordaremos o modo como o sintoma encontrou sua amarração. A partir do ensino de Lacan, vamos usar o texto de Freud e o seminário de Miller sobre este caso.

 

Turma 2016

O Homem dos ratos
Maria Lidia Arraes Alencar
Horário: 19h00
Início: 08 de março

Neste curso, propomos a leitura do caso do Homem dos Ratos, intitulado “Notas sobre um caso de neurose obsessiva”, publicado por Freud em 1909, enfatizando os aspectos do sintoma que articulam pulsão e fantasia na neurose obsessiva. As passagens do ensino de Lacan a que recorreremos são o Seminário 5 (1957/58) e o escrito intitulado “Subversão do sujeito e dialética do desejo”, de 1960.

Bibliografia

Freud, S. – Notas sobre um caso de Neurose Obsessiva (1909), Obras Completas, vol. X, Imago, 1979, Imago.
Lacan, J. – O Seminário, livro 5, As formações do Inconsciente (1957/58), Zahar Ed., 1999, RJ.
Lacan, J. – Subversão do sujeito e dialética do desejo”(1960), Escritos(1966), Zahar Ed. , 1998, RJ.

Os sofrimentos do jovem Werther
A neurose obsessiva entre amor, desejo e gozo
Vicente Machado Gaglianone
Horário: 19h00
Início: 15 de março

O gênio de Goethe nas palavras de seu herói Werther, antecipa tudo de essencial na neurose obsessiva.
“Por que é que me despertas, hálito da primavera?” [...] “Ah! Vê, foi como que um muro de vedação que se ergueu diante da minha alma...” [...] “Ela é sagrada para mim. Todo meu desejo emudece em sua presença.” [...] “E eu degusto com toda a volúpia a taça em que ela me oferece a morte!”.
O exponencial da estrutura obsessiva indica que o “despertar da primavera” no encontro com o “Outro sexo” pode ser mortífero para alguns e o laço erótico possível para esses sujeitos será marcado pelas compulsões e obsessões, fazendo da metonímia um recurso privilegiado de organização defensiva contra o desejo. Nas palavras de Romildo do Rêgo Barros: “Ora, o ideal para o obsessivo é que esse movimento fosse infinito, que nunca houvesse um ponto de parada, pois, enquanto se mantém o deslizamento não se impõe para ele a questão do seu desejo, que pode se manter impossível.”
Lacan, em 1972, propõe que “entre o homem e o amor há um mundo” , e tentou, a partir das vicissitudes do amor, extrair as coordenadas estruturais desse acontecimento de corpo para o sujeito posto na sexuação do lado masculino. O que Lacan radicaliza é em demonstrar que a mediação possível do inexorável “não há relação sexual” é uma ilusão, e que, enfim, a norma fálica é apenas mais um semblante. E conclui: “chacun tisse son noued” . Cada um tece seu nó, pois o nome-do-pai erra.
O que permitirá que o encontro amoroso se faça de maneira contingente levará em conta o real desse encontro, e passará pela relação entre amor e desejo para cada sujeito segundo as modalidades de gozo que definem cada uma de suas posições.
Buscaremos nesse curso delimitar o modo de solução sintomática do sujeito obsessivo entre amor, desejo e gozo.

Bibliografia básica:

Barros, Romildo do Rêgo. Compulsões e obsessões: uma neurose de futuro- Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
Lacan, J. El mito individual del neurótico, o Poesia y verdad en la neurosis - Buenos Aires: Paidós, 2009.
S. Freud. “Notas sobre um caso de neurose obsessiva” (O homem dos ratos), Obras Completas, Rio de Janeiro, Imago, 1997, vol. X. .

 

Turma 2017

Caso Dora
Maria Ines Lamy
Horário: 19h00
Início: 08 de março

O estudo do Caso Dora nos permite acompanhar o caminho de formação do sintoma em suas vertentes de determinação significante e gozo, os impasses na transferência além de questões relativas à histérica e à mulher. Paradigma da histeria, o Caso Dora foi trabalhado por Lacan em vários textos, dentre os quais escolhemos dois para iluminar nossa leitura.

Bibliografia:
- Freud, S. “Fragmento da análise de um caso de histeria” (1905[1901]). Em: Obras Completas, vol. VII
- Lacan, J. “Intervenção sobre a transferência”. Em: Escritos, RJ, J. Zahar Ed., 1998
- Lacan, J. “Dora e a jovem homossexual”, cap. VIII de O seminário livro 4: a relação de objeto. RJ, J. Zahar Ed., 1995

 

O imaginário e a constituição do sujeito
Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros
Horário: 19h00
Início: 15 de março

Nesse curso, vamos situar a função do imaginário na constituição do sujeito em momentos diferentes do ensino de Lacan. Partiremos do estádio do espelho para localizar como através da imagem se articula o sujeito, o Outro e o objeto, não sem a preservação do que escapa à imagem e produz nela o furo necessário para que ela possa ser assumida como matriz de identificação. Veremos também os efeitos angustiantes do cientificismo contemporâneo sobre a função da imagem quando tenta desconsiderar esse furo necessário.

Bibliografia:
Lacan, J. “O estádio do espelho como formador da função do eu”
Lacan, J. O esquema óptico no Seminário I e no Seminário X
Brousse, M-H. “Corpos lacanianos: novidades lacanianas sobre o Estádio do espelho”. In: Opção Lacaniana online, n. 15, novembro de 2014