PSICANÁLISE E MEDICINA

Coordenação: Adriano Aguiar e Rodrigo Lyra
Periodicidade e horário: primeiras e terceira terças-feiras de cada mês, às 20h00
Início: 07 de março

O avesso da biopolítica
Em 2017 o Núcleo de Psicanálise e Medicina iniciará um programa de pesquisa em torno do tema do próximo congresso da AMP, que acontecerá em Barcelona, em 2018, tendo como título: “As psicoses ordinárias e as outras, sob transferência”.
A noção de psicose ordinária foi lançada por Miller como um convite à investigação, um verdadeiro programa de pesquisa inserido na perspectiva da chamada clínica continuísta. Se a primeira clínica lacaniana era marcada por uma vertente que, tendo o Nome-do-Pai como pivô, estabelecia uma repartição descontínua entre as três estruturas psíquicas (neurose, psicose e perversão), a clínica contemporânea, marcada pelo declínio do Nome-do-Pai e concebida como clínica do nãotodo, nos desafia com o borramento das fronteiras que separam tais estruturas. Segundo Miller, isto faz com que o sintoma se torne a unidade elementar da clínica e não mais a estrutura psíquica.
No âmbito da psiquiatria, orientada atualmente pelo DSM V, a fragmentação dos diagnósticos é um fenômeno galopante, que tende tanto à universalização do enquadramento psiquiátrico, quanto a um distanciamento em relação à lógica psíquica própria a cada diagnóstico.
Miller, ao reconhecer a mutação dos diagnósticos tanto na psicanálise quanto na psiquiatria, afirma que “o que Lacan chamou de sinthoma no fim do seu ensino é a versão lacaniana do que é a fragmentação das entidades clínicas no DSM. Não se trata da mesma fragmentação, mas do mesmo movimento de desestruturação das entidades observado na segunda clínica de Lacan”.
Nosso programa de pesquisa buscará investigar as aproximações e diferenças entre a fragmentação dos diagnósticos na psiquiatria contemporânea e a tendência à evanescência das estruturas no último ensino de Lacan, indagando em que medida a noção de psicose ordinária serve como bússola para a prática clínica contemporânea.