TOXICOMANIAS E ALCOOLISMO
Coordenação: Sarita Gelbert
Co-coordenação: Rodrigo Abecassis
Periodicidade e horário: Primeiras e terceiras terças-feiras do mês, às 20h
Início: 07 de Agosto

Partimos de uma sociedade intoxicada de produtos e palavras de ordem sustentados por um supereu que vocifera as leis do mercado. As toxicomanias e compulsões aparecem como efeito de discurso, como nos alerta Jésus Santiago.
A resposta do sujeito pela via do uso de drogas (lícitas ou ilícitas) aparece na contemporaneidade em proporções endêmicas. Trata-se de uma possibilidade de tratar o real pelo real; o gozo pela atuação, com subtração da palavra. A clínica com as toxicomanias e alcoolismo é delicada e com grandes desafios, onde os sujeitos procuram soluções no desaparecimento psíquico, na ruptura com o Outro. Nesse sentido, os sujeitos estão com seus corpos mergulhados em palavras e coisas que funcionam na direção do apagamento do inconsciente, da singularidade. Sabemos que o efeito em cada um, é imprevisível. E a psicanálise aposta nisso e nas invenções possíveis num tratamento, seja na clínica particular ou na saúde pública.
Qual é a função da droga para cada sujeito?
Essa pergunta abre para nós, analistas, a questão diagnóstica e a da transferência, assim como favorece a discussão sobre outros questionamentos e afirmações encontrados no Campo Freudiano: a droga provoca uma ruptura com o gozo fálico; tampona a divisão subjetiva; promove o gozo assexuado no lugar do encontro com o Outro sexo; promove um tratamento do gozo; uma forma de amarração dos registros e uma suplência pacificadora, etc.
Nesse sentido, a clínica com o autismo tem algo a nos ensinar: apostar no sujeito, mesmo que tenha que se antecipar a ele, trabalhar na direção da invenção singular que cada um pode construir para sua dor de existir e acompanhar cada sujeito na construção de seu Outro possível.
Paralelamente, nosso programa de trabalho será direcionado também à Rede de Saúde Mental, pois, diante do retrocesso que a política nacional de Saúde Mental vem sofrendo, com seus efeitos evidenciados na cidade, como o incremento da política asilar com relevo nas comunidades terapêuticas religiosas, onde os sujeitos são isolados pelo Outro absoluto consistente, cabe à psicanálise dizer algo a respeito a partir de sua clínica e política. Nessa direção, para que a ética da psicanálise se sustente, é preciso um lugar de fala e pesquisa para os profissionais. Portanto, é na interseção entre os campos epistêmico, político e clínico que o Núcleo se inclui como um espaço importante para pensar o saber fazer dentro e fora das instituições.

Bibliografia:
FREUD, S. “O mal estar na civilização”; In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
LACAN, J. “Encerramento das Jornadas de Estudos de Cartéis da Escola Freudiana”. In: Revista Pharmakon Digital, nº 2, p. 15.
SANTIADO, J. A Droga do Toxicômano: Uma parceria cínica na era da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
LAURENT, É. A sociedade do sintoma: a psicanálise hoje. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2007.
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SANTIAGO, J. “Droga, ruptura fálica e psicose ordinária”. In: Revista Pharmakon Digital, n° 3, p. 6
MARTINS, V. T. “Intoxicações no contexto do desencadeamento da psicose”. In: Revista Pharmakon Digital, n° 3, p. 55.