A atual Diretoria do ICP-RJ iniciou seu trabalho em agosto de 2017, quando assumi o cargo de Diretora Geral, Ronaldo Fabião, o de Tesoureiro, Glória Maron, Coordenadora da Comissão de Ensino, Tatiane Grova, Coordenadora dos Núcleos e Cristina Duba, Coordenadora da Comissão de Publicação e Divulgação.

Ainda estamos no começo da construção de nossa política, mas estamos bem orientados quanto à nossa função, a saber: acolher os efeitos das experiências das Diretorias que nos antecederam e introduzir novos elementos que nos permitam avançar em nossa modalidade de transmissão, articulando teoria e clínica.

Nesse momento, então, renovamos a aposta na oferta do ICP, orientados pelas balizas de Sigmun Freud e Jacques Lacan, norteando nossas ações na direção de encontrar as ferramentas possíveis para a prática clínica da psicanálise.

Vivemos tempos difíceis. O mundo, como antecipou Lacan, vive momentos em que os processos segregativos se ampliam cada vez mais, excluindo as diferenças, tentando deixar de fora toda e qualquer particularidade. Para que a psicanálise sobreviva no mundo, temos que trabalhar para sustentar a presença do sintoma, que é a assinatura singular do sujeito. A insistência desconcertante do real de nossa época, sua manifestação inesperada, mobiliza desde muito tempo os psicanalistas de orientação lacaniana. Essa visada fundamental abriu uma via de orientação para o real e renovou a prática da psicanálise. Essa me parece ser a aposta de transmissão do Instituto: uma abertura clínica, à altura de responder aos novos desafios colocados pelas mudanças ocorridas no mundo. O novo da clínica diz respeito ao modo como nos chegam as pessoas que demandam uma análise e como respondemos a isso. A imprecisão dos diagnósticos, os sintomas da vida amorosa, as parcerias de gozo, a pornografia, as crianças e as novas configurações familiares, o uso abusivo de drogas, são pequenos exemplos dessa mudança: sintomas que agem, agitam o corpo, angustiam. O endereçamento e a fala não são tomados como recurso para tratar esse gozo desregulado e o real invasivo.

Já há algum tempo, temos marcado o caráter introdutório dos cursos oferecidos, considerando que o saber em psicanálise não é cumulativo, não é adquirido pouco a pouco até um saber final. Ele vai sendo articulado e entrelaçado nos estudos, na análise e na clínica, e o ganho se fará quanto mais o sujeito puder dar de si nesta articulação. É assim então que, nas aulas e nos núcleos, a pesquisa clínica vai sendo construída, aprendendo a extrair da experiência do insconsciente e do trabalho com cada paciente um saber, ali onde o real aparece disperso e sem sentido. É um modo de trabalho em que se articulam o saber dos conceitos com o que pode ser depositado e apreendido na experiência.

Esta tarefa, a de transmitir a orientação lacaniana aos que se dirigem ao Instituto, não é fácil. É um grande desafio, pois sabemos que muitos que se aproximam do ICP já têm um percurso de estudo e de análise, outros estão no início, mas, em sua maioria, têm experiência clínica tanto em consultório quanto em instituição. Nossa aposta, assim, se dá na abertura que se estabelece por ocasião da entrada no Instituto, devido ao modo não linear que propomos na leitura dos textos de base, a apresentação e a discussão dos caso clínicos, o que causa um grande impacto no saber.

Desejamos aos que chegam agora, aos que estão ainda nas turmas, aos que participam dos núcleos de pesquisa e aos que já terminaram, mas que estão entre nós, um ótimo e produtivo ano de trabalho. Que as dificuldades que, porventura, surjam, sirvam para colocar à prova a relação de cada um com a causa analítica e o modo como cada um vai engajá-la no Instituto. Bem vindos!

Paula Borsoi
Diretora Geral do ICP-RJ